Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

ÂNGELUS CRITICA “MÁFIA” DE EMPRESÁRIOS



Emerson Quaresma
Especial para A CRÍTICA

Enquanto na Câmara Municipal de Manaus (CMM) os vereadores "enterraram" a instalação de uma CPI para investigar possíveis irregularidades envolvendo as empresas de transporte coletivo da cidade, na Assembléia Legislativa do Estado (ALE), a questão foi pauta de discussão, ontem, entre os deputados estaduais.

O deputado Ângelus Figueira (PV) disse que vai propor, na próxima semana, uma audiência pública para discutir questões como o valor da tarifa cobrada em Manaus e uma possível "máfia de empresários do ramo", que hoje operam o sistema.

O parlamentar quer discutir ainda o motivo de o prefeito Serafim Corrêa (PSB) ter desativado o Sistema Expresso de transporte urbano - implantado na administração do ex-prefeito Alfredo Nascimento - sem ter responsabilizado ninguém pelos problemas deixados na cidade. Ângelus lembrou que o Expresso custou um investimento aproximado de R$ 120 milhões.

"É algo extremamente grave. Ele (Serafim) deveria responsabilizar alguém por esse dinheiro que foi jogado pelo ralo", disse. Apesar do clima pré-eleitoral, Ângelus garante que leva esse assunto à tribuna da ALE sem levar em conta as eleições do próximo ano.

O parlamentar destacou que Manaus tem a tarifa mais cara do Brasil em relação a quilometragem paga. Ele comparou o sistema local com o de Belém (PA). Segundo Ângelus, enquanto em Manaus as empresas de ônibus tem isenção no ICMS e o passageiro paga R$ 2,00, em Belém, a tarifa é R$ 1,35, sem o desconto do ICMS para as empresas locais. Ângelus disse ainda que as empresas de Manaus contam com o desconto no ISS e taxas administrativas do IMTU.

O presidente do IMTU, Marcelo Ramos, em resposta às declarações de Ângelus, disse que antes de discutir essa questão é preciso retomar a história para lembrar que quem desativou o Sistema Expresso foi o ex-prefeito tampão Luiz Alberto Carijó.

Segundo Ramos, a comparação da tarifa entre Manaus e Belém não convence, porque enquanto aqui há terminais de integração, na capital paraense não. "Eu prefiro acreditar que os deputados são homens públicos. Que as criticas são frutos da preocupação de homens públicos", comentou o presidente do IMTU.

Prefeito precisará ter pulso forte

O deputado Luiz Castro (PPS) disse que a questão do transporte coletivo da cidade é um tema discutido no âmbito do seu partido. Ele alertou que o processo de licitação marcado para setembro é a última chance para o prefeito Serafim Corrêa implantar um sistema novo e de qualidade. Mas para isso, segundo Luiz Castro, o prefeito terá que ter “pulso forte”.

“Ele está numa armadilha de um sistema todo viciado, cheio de erros. O prefeito não pode descartar a possibilidade de intervir em companhias de ônibus, uma vez que há denúncia de máfia no sistema de transporte”, disse o deputado. Assim como o deputado Angelus Figueira, Castro defende que Manaus precisa discutir a implantação de transportes de massas, como metrô de superfície ou subterrâneo.

A deputada Conceição Sampaio (PP), em aparte concedido pelo líder do PV, disse que comunga da mesma preocupação e observou que o atual sistema de transporte urbano de Manaus é uma “vergonha”. “Dizem para as pessoas para terem paciência, mas até quando? Existem filas quilométricas nos terminais. A demora é muito grande. Temos ônibus velhos que colocam em risco a vida das pessoas”, disse a parlamentar.

Já o deputado Josué Neto, líder do PSB na Casa e vice-líder do Governo do Estado, disse que é hora de o prefeito buscar o apoio do governador Eduardo Braga (PMDB) para a questão do transporte público. “Quem está no meio político tem que ter humildade”, disse Josué Neto.

O deputado sugeriu a idéia de marcar uma audiência com o prefeito Serafim Corrêa. Segundo ele, o transporte coletivo é um problema que também deve ser discutido na Assembléia Legislativa do Estado e que trata-se de uma questão suprapartidária.

“Apesar de eu ser do mesmo partido do prefeito, não tenho como defender algo que não tem como defender. Devemos discutir com o prefeito o real problema para chegar a uma solução”, salientou o deputado Josué Neto.

(jornal A Crítica, de 24 de agosto de 2007)

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