segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

PROSTITUIÇÃO AVANÇA, MAS REGININHA POLTERGEIST FINGE QUE NÃO VÊ



No ano passado, a Prefeitura de Manacapuru repassou para uma certa Fundação de Aprimoramento e Desenvolvimento de Recursos Humanas do Amazonas a quantia de R$ 1.999.935,10 (quase DOIS MILHÕES DE REAIS) para os projetos “Esporte e Cultura” e “Educação 2006”.

No mesmo período, a prefeitura repassou para a ONG Sociedade Brasileira de Educadores para a Paz a quantia de R$ 1.460.604,32 (quase HUM MILHÃO E MEIO DE REAIS) para os projetos “Educação” e “Educação de Jovens e Adultos”.

Como ninguém sabe onde essa dinheirama foi empregada, a prostituição infanto-juvenil aumentou de forma exponencial na Princesinha do Solimões, turbinada pelos trabalhos do gasoduto.

Além de nenhuma autoridade tomar qualquer providência a respeito, o prefeito Regininha Poltergeist, no dia da audiência pública da construção da ponte Manaus-Iranduba, falou no microfone que tudo isso é conversa fiada, pois em Manacapuru não tem prostituição.

A única explicação para essa “lambança” do prefeito está no fato de ele não ficar no município mais do que dois dias por semana.

Para constatar esse problema social, basta passar pelo pagode do Lanche Cidade nas sextas-feiras e pelo cais do Porto, pela Praça da Prefeitura ou até mesmo na Orla do Miriti, em qualquer dia da semana.

Nos domingos, o “point” das menores fica no Balneário do Miriti. Foi criado até uma tabela de preços: quanto menor a idade maior o valor do programa.

Alguns dos secretários municipais são clientes assíduos das menores, que costumam andar em bandos. Arredias, ariscas, desconfiadas, agressivas. Se chegarmos um pouco mais perto, veremos uma outra realidade.

Uma carência que não cabe no corpinho franzino de algumas delas e uma total falta de compreensão do peso real do que fazem. Sem a mínima maturidade sexual ou emocional, elas não têm capacidade para avaliar e muito menos optar se realmente querem ser prostitutas.

Mas nada é certo ou exato. Não podemos homogeneizar essas crianças e traçar um perfil ou montar um quadro com características rígidas.

Após o contato com várias meninas, a equipe do Miratinga constatou que a desestrutura da família é um dos únicos fatores constantes. Muitas dessas meninas já sofreram algum tipo de violência ou abuso sexual vindo de sua própria família e acabam fugindo para as ruas.

Outras vêm de Anori, Beruri e da zona rural de Manacapuru para a sede do município, em busca de trabalho. Não conseguem e a família não sabe como ganham aquele “dinheirinho” que mandam todo mês. Outras, ainda, são incentivadas pela própria família a se prostituírem.

Ao ganharem a rua, com o passar do tempo, perdem os vínculos com a casa e com a família, seduzidas pelos atrativos da rua: a liberdade, a falta de limites e obrigações, o cigarro de mesclado (pasta de coca) e o “pozinho” do demônio.

A primeira pergunta que se faz: o que leva uma criança a se prostituir ou ser prostituída? Em primeiríssimo lugar a miséria. Em todos os sentidos.

Ao perguntarmos, a resposta poderia ser dada em coro: por dinheiro. Dinheiro para comprar comida, sim, mas principalmente para comprar drogas.

Logo que chegam às ruas, as meninas experimentam a droga, muitas vezes oferecida pela “turma”. Viciadas, elas roubam e se prostituem para comprar cada vez mais.

Na maioria das vezes tem sempre uma cafetina ou um cafetão por trás delas. Eles administram o negócio, mantêm as meninas dependentes e as protegem ao mesmo tempo. Como contam com a complacência do prefeito, o problema permanece sem solução.

Mas, acima de tudo, esta realidade é a decorrência natural e inevitável da inexistência de políticas públicas sérias e comprometidas com a nossa cidade, que venham a dar perspectivas e a possibilidade de um futuro melhor para nossas crianças, nossos jovens e suas famílias.

O dinheiro público vai para as ONGs, que não prestam contas de suas ações e fica tudo por isso mesmo. Uma vergonha!

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