quinta-feira, 6 de maio de 2010

POLICIA CUMPRE MANDADO DE BUSCA NA CASA DE EDSON BESSA



O juiz da Segunda Vara da Comarca de Manacapuru ( a 68 km a oeste de Manaus) expediu dez mandados de busca e apreensão de documentos, mídias, computadores e aparelho celular em varias residências, de ex funcionários, secretários e do ex-prefeito Edson Bastos Bessa (PMDB), e do presidente da Câmara Municipal Jaziel Nunes de Alencar o Tororó.

Acompanhados de 15 policiais do 9º Batalhão de Policia Militar de Manacapuru os oficiais de justiça, Welliton Nogueira Carvalho e Luis Carlos Teles da Silva começaram a cumprir os mandados por volta das 17h. A primeira residência a ser visitada pelos oficiais de justiça foi na rua Barão de Rio Branco no centro da cidade onde mora o presidente da Câmara Municipal.

Em seguida a residência do ex-secretario de Produção do Município Marcos Antonio de Souza. Na residência do ex-prefeito Edson Bastos Bessa localizado no km 74 da rodovia Manoel Urbano. Na casa os oficiais de justiça encontraram varias pastas com documentos do município. Segundo o Oficial de Justiça Luis Carlos Teles da Silva vários documentos continham assinatura, mas sem de destinatário em forma de pagamento com valores, entre R$ 3 mil e dez mil reais.

A sétima residência a ser visitada foi a ex-secretaria de Educação do município é vereadora Isabel Marinho (PC do B). No seu despacho o juiz Luis Claudio Cabral Chaves diz " A fé na Justiça e o fortalecimento dos vínculos sociais e da confiança da sociedade no pleno funcionamento dos poderes enformadores do Estado se fundamentam na observância do Estado de Direito e na manutenção do Espírito Republicano. Esses são fatores que resguardam a segurança da sociedade e do próprio Estado. Conclui-se, assim, que não podem ficar submetidos aos interesses particulares, individuais ou de grupos."


A MEDIDA JUDIDIICIAL


Processo de nº 248/2010 - 2ª Vara/Ação de Busca e Apreensão

Requerente: Município de Manacapuru/Prefeitura Municipal

Requerido(a)(s): Edson Bastos Bessa e outros


Vistos e examinados,

Trata-se de ação de busca e apreensão de documentos, mídias, computador e aparelho celular que o Município de Manacapuru/Prefeitura Municipal move contra Edson Bastos Bessa, Jaziel Nunes de Alencar, Marcos Antônio de Souza, José da Silva Gerônimo e JCE Assessoria de Projetos e Dados.

Alega o Autor, que após a posse do atual prefeito municipal, o senhor Ângelus Cruz Figueira, ocorrida no dia 20/04/2010, em cumprimento à determinação judicial do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, foram criadas comissões municipais de transição de governo, dentre elas a da Secretaria Municipal de Produção Rural e Abastecimento, através do Decreto nº 003, de 22/04/2010, com o objetivo de fazer levantamento da real situação do município em todos os seus aspectos.

Continua dissertando que os primeiros relatórios trouxeram informações alarmantes sobre a ausência total de documentos em todas as secretarias, bens depredados e desaparecidos.

Acrescenta que a situação mais grave esta relacionada com a documentação contábil e financeira, já que todos os documentos foram, de forma propositada, retirados das secretarias.

Ressalta que o prefeito afastado, senhor Edson Bastos Bessa, foi cassado pelo TRE/AM por captação ilícita de sufrágio, abuso de poder político e econômico, bem como é adversário político do atual prefeito, motivo pelo qual adotou a postura de "limpar" todas as secretarias, deletando informações e sumindo com documentos, com a clara intenção de prejudicar o município, ou seja, uma conduta irresponsável e inconseqüente.


É o relatório.

A fé na Justiça e o fortalecimento dos vínculos sociais e da confiança da sociedade no pleno funcionamento dos poderes enformadores do Estado se fundamentam na observância do Estado de Direito e na manutenção do Espírito Republicano. Esses são fatores que resguardam a segurança da sociedade e do próprio Estado. Conclui-se, assim, que não podem ficar submetidos aos interesses particulares, individuais ou de grupos.

A República, como expressão do bem público, melhor dizendo: da "coisa pública", funda-se no princípio de que é tarefa dos agentes públicos cuidar e zelar pelo patrimônio e interesses do povo. Esse entendimento tem fundamento histórico e na tradição do pensamento jurídico. Tanto é assim, que o pensador romano Cícero, convencido do significado social e político desse pressuposto, afirma que "a coisa pública... é a coisa do povo. Mas o povo não é a reunião de todos os homens, realizada de qualquer modo, mas uma multidão associada sob a lei e a comunidade de interesses". Desse modo, a proteção da lei, da legalidade e do bem comum deve ser o parâmetro norteador do comportamento dos gestores públicos. O que corrobora o entendimento de que no regime Republicano o titular do processo político é o povo, devendo o poder ser exercido em seu nome, de forma objetiva e com honestidade, correção e verdade. Esse entendimento encontrou clara e justa formulação na definição do jurista Geraldo Ataliba:

"República é o regime político em que os exercentes de funções políticas (executivas e legislativas) representam o povo e decidem em seu nome, fazendo-o com responsabilidade, eletividade e mediante mandatos renováveis periodicamente <...> São, assim, características da república a eletividade, a periodicidade e a responsabilidade. A eletividade é instrumento da representação. A periodicidade assegura a fidelidade aos mandatos e possibilita a alternância no poder. A responsabilidade é o penhor da idoneidade da representação popular".

A República é, portanto, "o governo das leis", em consonância com a preservação dos bens públicos e interesses da comunidade, sem prescindir da responsabilidade dos seus agentes. A inobservância desses postulados representa uma ameaça para o Estado de Direito e para o fortalecimento e a vida da sociedade. Cumprir a lei e punir seus infratores são atitudes que, além de garantir o pleno funcionamento do ordenamento jurídico e coibir a impunidade, ajudam a resgatar a confiança dos cidadãos no sistema jurídico pátrio. Como diz o filósofo Aristóteles: "A lei é ordem; e uma boa lei é uma boa ordem".


Embasado nesse entendimento e cioso de minha responsabilidade como magistrado, decido:

Nos termos do art. 839 do CPC, o juiz pode decretar a busca e apreensão de pessoas ou de coisas.

No caso vertente, considerando os argumentos e os documentos atrelados na petição inicial, presentes os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora, defiro a medida liminar de busca e apreensão, que deverá ser cumprida nos endereços indicados na inicial. Dois Oficiais de Justiça deverão cumpri-la com prudência e moderação, ficando autorizado, se for absolutamente necessário, o arrombamento de portas externas e o reforço policial (CPC, art. 842 e §§).

Efetivada a liminar, citem-se os Requeridos, conforme os artigos 802 e 803 do CPC, autorizando diligências consoante o art. 172, §§ 1º e 2º do CPC.

E para que fique estabelecido o primado da igualdade de todos perante a lei, como nos ensina Cícero: "aqueles que comungam dalei têm, também, que comungar da justiça; e aqueles que comungam são vistos como membros de uma mesma comunidade". E por isso têm responsabilidades com os interesses da sociedade, com o justo direito e suas consequências. Assim, não é sem propósito lembrar as palavras do pensador italiano Norberto Bobbio: "o fundamento de uma boa república, mais até do que as boas leis, é a virtude dos cidadãos".

Cumpra-se.

De Brasília para Manacapuru-AM, 06 de maio de 2010.

Luís Cláudio Cabral Chaves
Juiz de Direito da 2ª Vara

Fonte: Blog do Holanda (www.blogdoholanda.com.br)

3 comentários:

João Garcia disse...

O Brasil está mudando,o Amazonas caminha em passos longos para moralidade com as coisas públicas.Acredito que nem tudo esteje perdido.ACRISTALIZAÇÃO da moralidade e da ética também caminho juntas em Manacapuru.É chegado um novo tempo não de mudanças e sim de transformaçãoes.Parabéns ao poder judiciário e executivo do municipio de Manacapuru.Vivemos esperando o que em seremos melhores pra sempre.

Márcia Monteiro disse...

Ainda temos esperança na justiça e a justiça está sendo feita.
Eles devem ser punidos.
Estamos sempre com vc Figueira.
O povo de Mpu conta com vc...
Parabéns pelo Blog...Estaremos sempre aqui acompanhado tudo.
abraços.

Ana disse...

Vamos esperar que a Justica se cumpra ate o fim ou seja punindo mesmo e tentando recuperar o que nos foi tirado pelo bessa e sua equipe

Rosa