Espaço democrático para discussão sobre as atividades político-partidárias do ex-deputado estadual e prefeito de Manacapuru, Angelus Figueira, e sobre assuntos relacionados a cidadania, direitos humanos e ecologia
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Expansão urbana da RMM ameaça pássaros da fauna amazônica
Desmatamento ao longo da AM-070 (Divulgação Fundação Vitória Amazônica)
A construção da ponte sobre o rio Negro, inaugurada há pouco mais de um mês, pode estar acelerando o desaparecimento de espécies de pássaros da fauna amazônica que ocorrem apenas em regiões de mata primária, entre os municípios de Iranduba e Manacapuru.
É o que apontam os primeiros dados de um estudo que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Vitória Amazônica e que é coordenado pelo biólogo e coordenador do programa de Conhecimento e Conservação da fundação, Sérgio Henrique Borges.
Segundo ele, a pesquisa vem apontando que algumas espécies de pássaros, como o capitão-da-mata (Lipaugus vociferans), o inhanbu (Crypturellus) e o jacamim (Pshophia)- comuns em matas primárias mas de difícil adaptação em matas secundárias, ou seja, aquelas que já sofreram um desmatamento – já não são mais encontradas ao longo da rodovia Manoel Urbano (AM-070), no trecho que liga Iranduba a Manacapuru.
“Com essa pesquisa, pretendemos fazer um alerta para que as políticas públicas garantam a preservação dos últimos fragmentos florestais que restaram nesse trecho da estrada, que são o que sobrou do habitat desses animais”, disse.
Para Borges, o poder público precisa ter um maior compromisso com a preservação do meio ambiente, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus (RMM) onde a construção da ponte sobre o rio Negro pode promover uma expansão urbana acelerada, caso de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.
“Percebemos que, nos discursos políticos sobre os empreendimentos que estão surgindo na RMM, em Iranduba, Manacapuru e Novo Airão por conta da ponte, estão dando pouca atenção para os impactos ambientais. Essa obra deve mudar muito mais do que a vida dos moradores dessas cidades: vai afetar a biodiversidade local”, criticou.
Pesquisa
De acordo com o pesquisador, o estudo que analisa o reflexo da expansão urbana sobre as espécies de aves nativas naquela região ainda está na fase inicial, mas já apresenta dados preocupantes.
Na primeira etapa, de amostragem das espécies encontradas em dois trechos da estrada – Iranduba a Manacapuru e Manacapuru a Novo Airão – os pesquisadores perceberam que os animais estão migrando para, cada vez, mais longe da estrada.
“A estrada que liga Iranduba a Manacapuru tem composições de aves diferentes do trajeto que vai de Manacapuru a Novo Airão. Nesse segundo trajeto a mudança da paisagem ainda não é tão drástica quanto no primeiro, onde as obras já destruíram a mata primária, dando espaço às capoeiras e áreas sujeitas a alagações, onde a presença dos pássaros nativos é rara”, explicou.
Segundo Borges, as espécies analisadas, que antes da construção da ponte e da especulação imobiliária que ganhou grandes proporções do outro lado do rio eram comuns, já desapareceram ou diminuíram drasticamente sua incidência. “Essas aves são típicas de florestas de mata com terra firme e não conseguem manter suas populações por falta de habitat. Elas desaparecem com o desmatamento”, analisou.
Preservação
A fiscalização sobre os crimes ambientais, critérios na emissão de licenças ambientais para os empreendimentos e o incentivo à criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) nos últimos fragmentos florestais da AM-070, no trecho que liga Iranduba a Manacapuru, são algumas das medidas apontadas por Borges para conter o desaparecimento dessas espécies de aves.
“As ações contra o desmatamento dos órgãos ambientais estão muito voltadas para o interior e muita coisa que acontece no entorno de Manaus fica sem controle. Por isso, estamos tentando fazer um levantamento das áreas desmatadas e dos fragmentos florestais no entorno desses três municípios”, informou.
O objetivo, segundo Borges, é evitar que o desmatamento que já compromete a vida silvestre nos municípios de Iranduba e Manacapuru ameace, também, a fauna e flora de Novo Airão.
A preservação da mata primária no entorno da rodovia AM-352 é outra preocupação dos pesquisadores, por ser uma região ainda não afetada pelo desmatamento provocado pela expansão urbana.
“No trecho que vai de Manacapuru a Novo Airão o desmatamento ainda não compromete a vida silvestre, falando dos pássaros nativos. E é fundamental que esse desmatamento não chegue a Novo Airão, pois de lá poderia se expandir para outras rotas”, disse.
(fonte: portal acritica.com)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário