sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Com apenas 3 presidentes, cúpula dos países amazônicos fracassa


por Raymundo Costa, do Valor Online

MANAUS - Prevista para contar com a presença de nove presidentes, a cúpula dos países amazônicos sobre mudança do clima terminou ontem, em Manaus, com participação de apenas três chefes de Estado, inclusive o anfitrião, presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os outros foram Nicolas Sarkozy, da França, e Bharrat Jagdeo, da Guiana.

Lula afirmou que a ausência dos convidados não significa o fiasco da cúpula. Mas nos bastidores diplomáticos, a leitura é que a diplomacia brasileira patrocinou um vexame, para dizer o mínimo. A Declaração de Manaus pouco ou quase nada acrescentou ao que já havia sido dito pelos países da região. Lula e Sarkozy, no entanto, manifestaram confiança na apresentação de uma proposta comum dos países amazônicos à conferência de Copenhague, em dezembro.

Lula disse acreditar que o documento divulgado após a reunião de ontem deve "balizar o comportamento dos presidentes da América do Sul em Copenhague". O presidente brasileiro ressaltou que a ausência de seus colegas não tinha maior significado em relação ao conteúdo da proposta, pois o documento já havia sido discutido várias vezes antes pelos técnicos de cada país.

Sarkozy e Lula foram os principais inspiradores da proposta que será levada a Copenhague. Sarkozy disse que Copenhague terá de apresentar números, mas não só aqueles referentes à redução das emissões, mas também o financiamento para a proteção da floresta na Amazônia e França, bacia do Congo, Indonésia e Sibéria.

O presidente francês acha que 20% dos US$ 10 bilhões previstos para medidas de proteção climática devem ser destinados especificamente à proteção das florestas, porque a emissão de CO2 do desmatamento representa 20% das emissões causadoras do efeito estufa.

Após firmar um acordo sobre mudanças climáticas com Sarkozy, Lula pensou em tirar uma posição conjunta também dos países que integram a região amazônica - a França entra com o departamento ultramarino da Guiana Francesa. Logo o Itamaraty se deu conta de que haveria problemas de agenda. Sarkozy, em Paris, dissera ao presidente que era só marcar que ele compareceria, independentemente da data. No início desta semana, apenas quatro dos nove presidentes indicavam que iriam a Manaus.

Além de Lula, Sarkozy e Jadgedo, o Itamaraty esperava os presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e o venezuelano Hugo Chávez. Na véspera da cúpula, Uribe mandou avisar que não poderia comparecer, porque estava com problemas de saúde - na realidade, uma inflamação no pé. A desculpa foi entendida como um pretexto para não se encontrar com o desafeto Chávez.

No dia seguinte, o próprio Chávez informou que não viajaria ao Amazonas, porque teria de atender os presidentes do Irã e da Palestina, em visita a Caracas. Nos meios diplomáticos, as duas explicações soaram como desculpas esfarrapadas.

O presidente Lula manifestou confiança na obtenção de resultados concretos em Copenhague, porque há uma semana, ou menos, se dizia que os Estados Unidos e a China não apresentariam proposta de redução de emissão de gases, e no entanto isso mudou. O mesmo raciocínio, segundo Lula, serve para o que aconteceu em Manaus: apesar do fracasso de público, a adesão dos países da região se mostrará um sucesso em Copenhague.

"É crítico que se gere financiamento adequado e previsível para essas atividades (de preservação da floresta amazônica)", diz a Declaração de Manaus. "Apoiamos a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal, o papel de conservação, manejo florestal sustentável e aumento do estoque de carbono florestal, no âmbito do regime de mudança do clima, com apoio financeiro e tecnológico internacional apropriado para cada uma delas e proteção da diversidade biológica."

Segundo o documento, "as florestas estão no cerne de nossas políticas de mitigação e acreditamos que devem constituir parte importante do resultado acordado de Copenhague".


(Fonte: Valor Online, de 27 de novembro de 2009)

Mostra de Trabalhos Pedagógicos dos Professores Indígenas de Manaus


Professores indígenas da Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizaram nesta quinta-feira, 26, a III Mostra dos Trabalhos Pedagógicos dos Professores Indígenas de Manaus no Auditório e Hall da Semed.

O evento, promovido pela Gerência de Educação Indígena (GEEI) da Semed, buscou desmistificar a questão indígena e mostrar a cultura, a importância da língua e da identidade tanto para o povo indígena quanto para a população em geral.

Com o tema “Educação na Diversidade: experiência e desafios na Educação Escolar Indígena de Manaus”, os participantes assistiram aos relatos de experiências pedagógicas de professores indígenas nas comunidades de São Tomé, Terra Preta, Nova Esperança, Três Unidos, Nova Canaã, Kokama, Tikuna, Comunidade AMARN, Sateré, apresentações culturais de danças e rituais das etnias Kambeba e Karapanã, Canto das Crianças Tikuna e exposição de banners dos projetos realizados pelos professores indígenas no hall de entrada da Semed.

O secretário municipal de Educação, Vicente Nogueira, ressaltou que apesar da Educação Escolar Indígena apresentar grandes desafios, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semed, apoiará levando em consideração todas as diversidades de etnias, visão de mundo e conflitos que surgem no cotidiano das comunidades e da sociedade em geral, visando ainda à institucionalização da escola e do professor indígena.


Para a gerente da Educação Escolar Indígena, Socorro Lima, além de desmistificar a questão indígena, o evento visa demonstrar a cultura indígena para os participantes e para a sociedade em geral. Outro fator importante é a consolidação da educação escolar indígena por meio de decreto que institucionalize a escola e o professor indígena.

“Os trabalhos apresentados foram realizados pelos alunos, em conjunto com os professores e comunitários, pois, todos os projetos desenvolvidos foram aprovados em consonância com o conhecimento do próprio povo. Utilizamos a pedagogia da alternância – a utilização da sabedoria dos antigos que tem um peso grande para se trabalhar os conteúdos”, destacou a gerente.

A professora indígena da Semed, Clarice Gama (pertencente ao Povo Tukano – Comunidade da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarh), ressaltou a importância do trabalho realizado nas comunidades indígenas.

“Desde abril deste ano temos trabalhado em conjunto com os alunos, professores, pais, mulheres da associação e pajés sobre os Grafismos Indígenas no Alto Rio Negro. A partir desses grafismos trabalhamos a revitalização da língua tukana (oficializada em São Gabriel da Cachoeira), realização da pesquisa com os antigos, atividades de dança, pintura, trabalhos manuais, confecção de vasos e flautas e, ainda, a divulgação das tradições e rituais da comunidade”, disse a professora.

Os professores da área ribeirinha desenvolvem suas atividades nas Escolas Rurais em parceria com o Professor Regular, sendo que duas escolas já são totalmente indígenas. E os professores da área urbana desenvolvem suas atividades nos Centros Culturais de suas comunidades, priorizando o ensino da língua e a revitalização da cultura indígena, inserindo nesse processo os conteúdos do currículo regular.

Bolsa Universidade vai aumentar número de vagas e oferecer cursos técnicos


A Prefeitura de Manaus vai aumentar para mais de cinco mil as vagas do programa Bolsa Universidade para curso superior e vai ampliar o programa com a oferta de cursos técnicos a partir de 2010.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 26, pelo secretário municipal de Projetos Especiais e Gestão Tecnológica (Semtec), Sidney Leite, durante o Workshop Bolsa Universidade – zona Oeste, realizado no auditório da PMM.

Segundo o secretário, a Semtec e os técnicos do Bolsa Universidade ainda estão trabalhando no fechamento dos números, mas em poucos dias o prefeito Amazonino Mendes deverá anunciar o total de vagas que serão disputadas no próximo processo seletivo, cujo edital será publicado na segunda quinzena de dezembro.

Sidney Leite também anunciou a adesão do Instituto de Ensino Superior Fucapi ao programa Bolsa Universidade.

“Esta instituição de ensino já está assinando o termo de adesão e, com isso, ampliamos ainda mais as vagas”, afirmou o secretário que adiantou já estar em conversação com outra IES que também deverá aderir ao programa para o próximo processo seletivo.

“Não vou revelar o nome porque essa instituição ainda não assinou o termo de adesão, mas as conversas estão bem adiantadas”, informou.


A exemplo do que já havia ocorrido nas zonas Lestes e Norte, o Workshop Bolsa Universidade atraiu centenas de pessoas, todas interessadas em conhecer como funciona o programa e os critérios para inscrição e seleção.

As dúvidas puderam ser tiradas durante a palestra ministrada pelo secretário Sidney Leite que abriu para que o público presente fizesse suas perguntas específicas.

Além de Sidney Leite, estiveram presentes representantes de todas as IES credenciadas junto ao Bolsa Universidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Não vi e não gostei


Por Leonardo Attuch, colunista da revista IstoÉ

Na semana passada, a alta corte se reuniu em Brasília. Mais de 1,4 mil pessoas lotaram o Teatro Nacional para assistir à pré-estreia do filme "Lula, o Filho do Brasil".

Nos círculos do poder, em que o puxa-saquismo faz parte da etiqueta social e é instrumento de ascensão profissional, compreende-se que algumas pessoas tenham sentado nas escadarias e se dependurado nos lustres do teatro.

Mas, quando a produção chegar às salas de cinema, dificilmente terá a mesma recepção. E talvez entre para a história como o filme de expectativas mais infladas já rodado no País - e também o que menos correspondeu a elas.

Por mais que Lula seja "o cara" e mereça a popularidade que tem, existem razões filosóficas, estéticas e morais para não se assistir ao filme.

A principal: é simplesmente indecoroso que o produtor Luiz Carlos Barreto tenha rodado sua sacolinha no auge do poder petista. Com mais de R$ 12 milhões arrecadados, ele conseguiu produzir a película mais cara da história do cinema nacional.

Eike Batista, aquele que queria um empurrão do Planalto para ficar com a Vale, deu R$ 1 milhão. A Camargo Corrêa, que depois de uma operação da Polícia Federal foi socorrida pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, por sugestão direta do presidente, também entrou no consórcio, assim como duas outras empreiteiras.

E a Oi, que ganhou uma lei sob medida na telefonia e há poucos dias recebeu R$ 4,4 bilhões do BNDES, também está no time dos patrocinadores.

Por isso, é risível o comentário do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que, na pré-estreia, indagou: "Por que a oposição não arruma alguém para fazer um filme também?"

Ora, porque não tem a chave do cofre nem a da cadeia - e talvez porque tenha compostura. Se isso não bastasse, o principal ingrediente do filme parece ser o sentimentalismo barato daquelas produções "feitas para chorar".

A história de um herói improvável que supera dificuldades e chega ao cume da glória, carregado pelo povo. Na linha do indiano "Quem Quer Ser um Milionário?", o nosso poderia se chamar "Quem Quer Ser um Presidente?".

Só que a arte de Lula sempre foi a de transformar adversidades, como a origem humilde e a falta de diploma, em vantagens comparativas no jogo da competição política. Numa sociedade tão desigual e culpada como a brasileira, nada disso foi obstáculo ao seu sucesso - e talvez tenha até ajudado.

Por tudo isso, e pelo simples fato de que teria sido mais decente esperar o fim da era Lula para rodar o filme, a produção da família Barreto não vale o ingresso nem a pipoca.

Água no chope


A manifestação popular articulada pelo prefeito de Manacapuru Edson Bessa para comemorar a cassação do prefeito de Manaus Amazonino Mendes teve que ser transferida para as calendas gregas. Absolvido pela corte do TRE na última terça-feira, Amazonino Mendes, que continua firme e forte no cargo, colocou água no chope dos lambanceiros de ocasião. Por conta disso, milhares de caixas de foguetes armazenadas pelo Bessinha deverão ser utilizadas somente em dezembro, quando ele for detonado definitivamente da prefeitura. Quem viver, verá!

Espinha na garganta
Um “infiltrado” na reunião preparatória da fracassada manifestação de Manacapuru contou que a iniciativa do prefeito tinha o total apoio do governador Eduardo Braga, que parece ainda não ter esquecido dos acontecimentos de 1998. Para quem tem a memória curta: naquele ano, após derrotar Eduardo Braga no primeiro turno, o governador reeleito Amazonino Mendes fez a festa da vitória na Princesinha do Solimões. Braga pretendia dar o troco. Ficou na vontade.

Voto de Lembrança

Se estivesse vivo, o maestro e compositor Cláudio Santoro teria completado 90 anos de idade no último dia 23, assinalou, no Senado, o líder tucano Arthur Neto, ao requerer Voto de Lembrança em memória “daquele gênio musical amazonense”. O senador disse que Cláudio Santoro, falecido há 20 anos, merece ser lembrado por tudo que fez pelo Brasil e pelo mundo, encantando a todos que ouvem suas composições. Ele foi regente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, teatro que passou a ter o seu nome.

Compensação de CO²
Grande parte das atividades geradas antes, durante e depois da Feira Internacional da Amazônia (FIAM 2009), que está rolando de 25 a 28 de novembro, no Centro de Convenções Studio 5, terão suas emissões de dióxido de carbono (CO²) levantadas para a adoção de boas práticas ambientais durante o evento. A Suframa fará o levantamento em parceria com o Instituto Brasileiro da Defesa da Natureza (IBDN) para que o impacto da emissão do CO² seja compensado com o plantio de árvores. Bela iniciativa!

Revitalização
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) acaba de concluir a reforma do Jardim Botânico Adolpho Ducke, na Cidade de Deus, que foi totalmente revitalizado, com a realização de serviços de pintura, reforma de banheiros, identificação com placas das trilhas para os visitantes, pintura de meio-fio, paisagismo interno e climatização de ambientes. Inaugurado em 2000, essa é a primeira vez que o espaço recebe melhorias estruturais. O Jardim Botânico conta agora também com o Museu da Amazônia (Musa), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), funcionando no local.

Radical
“Só vou assistir o filme sobre a vida do Lula se me garantirem que ele morre no final”. (leitor da Folha de S.Paulo comentando a crítica do filme “Lula, Filho do Brasil”)

Dólares na cueca

Segundo o Diário do Nordeste, o deputado José Nobre Guimarães, do PT do Ceará, controlaria cinco secretarias do governo de Cid Gomes (PSB), irmão do pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes, e mais uma diretoria do Banco do Nordeste. Para quem tem memória curta: Guimarães é aquele parlamentar cujo assessor José Adalberto Vieira da Silva, em 2005, foi apanhado levando dólares na cueca.

Excesso
O ministro da Justiça Tarso Genro, defensor da permanência no Brasil de Cesare Battisti, voltou à carga chamando a Itália de “país fascista”, provocando constrangimento até na primeira-dama Marisa Letícia e seus filhos: todos possuem cidadania e passaportes italianos.

Festival Dilma
A ministra-candidata Dilma Rousseff dedicou-se, nos últimos dias, a um verdadeiro festival de gravações que serão usadas em inserções e nos programas em rede regional do PT: cada uma é diferente da outra, quando a pré-candidata vai falando das realizações do governo em cada estado. O marqueteiro João Santana é que fez todo o planejamento, os textos foram finalizados sob sua supervisão, tirando dados complicados de serem entendidos e adotando um tom coloquial. Dilma usou teleprompter e teve de regravar muitas vezes: não conseguia deixar de lado o tom professoral. Em algumas gravações, até sorri. O mesmo Santana já acertou com o próprio Lula qual será o tom de seu discurso na campanha de 2010. Terá inspiração chacriniana, mais ou menos assim: “Vocês acham que fiz um bom governo? Fiz porque Dilma estava do meu lado, com sua competência. Agora, prestem atenção: Dilma vai fazer um governo muito, muito melhor do que o meu!”

Um peixe chamado Wanda
Pouca gente sabe mas um dos DVDs preferidos por Dilma Rousseff é uma inesquecível comédia de 1988, com roteiro e direção de Charles Crichton e John Cleese, com Jamie Lee Curtis, Kevin Kline e o próprio Cleese no elenco. Título: Um peixe chamado Wanda. Na época, Dilma tinha um admirador que gostava de se referir a ela como “um peixe chamado Wanda”, usando seu codinome de guerrilheira.

É Vilma 2010
Por outro lado, pesquisa que continuam sendo feitas pelo PT em toda a região do Nordeste, parte do Norte e mesmo Centro-Oeste, apontam ainda que mais de 40% de eleitores das zonas rurais, de baixa renda, se referem à ministra-candidata como Vilma – e não Dilma. Para tentar solucionar parte do problema, João Santana quer aumentar o número de vezes do programa Bom Dia, Ministro, via rádio, veiculo de maior eficácia nessas áreas.

Coelho no mato
O Ministério do Desenvolvimento Agrário conseguiu aprovar no Senado projeto de lei complementar que institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, que nasce com R$ 500 milhões em caixa e que dispensa de licitação a contratação de empresas para prestarem consultoria a pequenos agricultores. Em ano eleitoral, era mel na sopa do MST e suas empresas amigas. Depois de muita briga, mudou-se o texto, tornando obrigatória a contratação de “empresas com devida e notória estrutura e conhecimento”. O que não muda muito.

Bom humor

O vice-presidente José Alencar, totalmente a favor da extradição de Cesare Battisti, continua enfrentando seus problemas de saúde com o habitual bom humor. Na semana passada, no 4º Encontro Nacional da Indústria, em Brasília, contou que seu irmão mais velho, de 90 anos, havia lhe perguntado se ele estava virando comunista por apoiar Lula. E ele: “Not yet. Ainda não”. Depois, falou que, quando soube da diminuição de seus tumores, ficou na dúvida: “Não sabia se deveria contar a todos a boa notícia. Pensei que, sabendo que eu ainda posso viver mais um pouco, o pessoal iria parar de falar tão bem de mim”.

Outro replay
A confirmação de que o Banco do Brasil agiu como bombeiro na crise econômica no final do ano passado, gastando R$ 6,7 bilhões injetando dinheiro em dois bancos e mais R$ 900 milhões na Sadia, que estava quebrando, faz o governo Lula protagonizar um replay do que aconteceu, no governo tucano, com os bancos Marka e Fonte Cindam. Socorrer instituições financeiras em dificuldades é tarefa do Banco Central – e não do Banco do Brasil. E a dinheirama torrada serviu para o governo mentir: havia crise e havia corrida bancária. E pior do que tudo, houve favorecimento.

Amigo é para isso
O Senado boliviano acaba de aprovar acordo assinado por Lula, segundo o qual o Brasil financiará com US$ 332 milhões uma estrada de mais de 300 quilômetros na Bolívia. É um brinde do BNDES para o governo do índio cocalero expropriador de refinarias da Petrobras. A construtora encarregada do projeto é a baiana OAS, uma das financiadoras do filme “Lula, o filho do Brasil”. A empreiteira também foi uma das financiadoras da campanha de reeleição de Lula, participa das obras do PAC e em 2007, recebeu R$ 107 milhões.

Gulosos
Aumenta a lista dos gulosos que gostariam de se sentar na cadeira de Dilma Rousseff quando ela se desincompatibilizar para concorrer ao Planalto: Erenice Guerra, braço-direito da ministra, ainda não desistiu e tenta torpedear a mais cotada, Miriam Belchior, figura de estreita ligação com Lula (e sua candidata). Agora, também o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, resolveu se mexer, cobiçando o posto que Antonio Palocci não quer (ele quer mais é se reeleger deputado federal). E a chance de Ciro Gomes ganhar essa corrida, não se candidatando a nada e assumindo a Casa Civil, nunca passou pela cabeça de Lula (e passa muito na cabeça do deputado).

Mãe é mãe

Para não queimar o filme da mãe do presidente Lula, figura básica do filme "Lula, o filho do Brasil", já entrou em campo um poderoso lobby junto à Central Globo de Novelas. É que, em outubro, Gloria Pires, que interpreta D. Lindu na tela, voltará às novelas, num dos principais papéis da nova série de Gilberto Braga e tudo o que se quer evitar é que ela interprete o papel de uma vilã.

Sem comentários
O blog do Senado já passou de seus primeiros vinte dias no ar e, nesse período inicial, recebeu apenas 18 comentários de leitores, divulgados na página. O blog obriga o leitor a se cadastrar, com fornecimento de dados pessoais, para escrever comentários, ou seja, dando RG, CPF e números telefônicos. Comentários anônimos ou com e-mails falsos não são aceitos. Resumo da ópera: se alguém xingar algum senador, corre o risco de ganhar um processo.

Ano eleitoral
Ano eleitoral é ano eleitoral: Lula deverá anunciar logo novo pacote de bondades para beneficiar familiares que têm filhos em idade escolar. O programa deverá conceder isenção fiscal nos três primeiros meses de 2010 para a compra de material escolar. E está quase concluído o estudo para outra bondade: Lula quer baixar o preço do gás de cozinha. Detalhe: todas as vezes que anunciar mais isenções e eventuais generosidades de época, terá Dilma Rousseff a seu lado.

Super-esquema
Para quem não tem a menor idéia de como era o esquema montado por Edemar Cid Ferreira em seus tempos de banqueiro: de acordo com a massa falida do Banco Santos, o que foi montado inclui nada menos do que 225 empresas e 516 pessoas físicas. No processo de falência, o diagrama do esquema ocupa o equivalente a duas páginas de jornal.

Alma libanesa
Depois de ter sido preso ao lado de Celso Pitta na Operação Satiagraha, Naji Nahas, que está aguardando o julgamento do processo que move contra a Bolsa, pedindo uma indenização de R$ 7 bilhões, até poderia ter se afastado do ex-prefeito. Foi ao velório e arcou com todas as despesas de tratamento médico e hospitalar. Os que conhecem Naji mais intimamente, atribuem esse seu lado à alma libanesa, que a polêmica figura exibe para poucos. E Naji conhece os dois lados: há muitos anos, quando permaneceu preso, num apartamento dos Jardins, mediu seus reais amigos pelo pequeno número de telefonemas que recebeu.

Porandubas do Gaudêncio Torquato


Abro a coluna, hoje, com Pernambuco falando para o mundo. Duas historinhas mostram a performance de dois de seus atores.

Luís Pereira, pintor de parede, foi dormir com 200 votos. Acordou deputado federal. Era suplente de Francisco Julião, cassado. Chegou a Brasília de roupa nova e coração novinho, conforme a verve de Sebastião Nery. Murilo Melo Filho jogou a primeira lata de tinta no silêncio daquela provinciana fachada política:

- Deputado, como vai a situação?

- As perspectivas são piores do que as características.

Luiz Serafim, o Serafa, era presidente da Liga Camponesa de Vitória de Santo Antão. Um comício programado pedia a presença de Francisco Julião. Luiz Serafim foi encarregado de saudar o fundador das Ligas. Caprichou nas palavras:

- Francisco Julião é aquele que não claudica em suas reivindicações benévolas!

Pesquisação

Chovem pesquisas. Mais uma, da CNT/Sensus, aparece para confirmar o que este consultor, há tempos, proclama: a queda de José Serra. Não há novidade nesta nova bateria. Apenas denota a tendência irretorquível: quem está muito na frente, cai, e quem está atrás sobe. O governador de São Paulo desceu alguns degraus da escada pelas seguintes razões: baixou a visibilidade, isolando-se no Palácio dos Bandeirantes; Dilma e Ciro expandiram suas aparições públicas; Luiz Inácio continua a fazer campanha desbragada para sua candidata, a mãe do PAC; as oposições perdem o eixo, a olhos vistos. Não sabem para onde ir.

Serra e Aécio

Há um dado interessante nesta pesquisa. A chapa Serra/Aécio alcança 35,8% de intenção de voto; a chapa Aécio /Serra chega a 31%. Ou seja, os números estão muito próximos. Se fizermos a projeção de potenciais de crescimento, teremos, de um lado, um perfil mais jovem, em condições de cooptar maiores grupamentos partidários; de outro, teremos um perfil mais forte, hoje, porém sem condições de conseguir expandir a base partidária. Ou seja, a tese deste consultor é: Aécio reúne maior potencial de crescimento, comparado a José Serra. Ademais, Ciro Gomes tem tido e repetido: se o governador mineiro aparecer como candidato tucano, ele desiste de sua candidatura à presidência. Depois de tanta afirmação, Ciro não teria como recuar. Dedução: o neto de Tancredo apresenta-se como perfil em crescimento; Serra, apesar de mais experiente, encaixa-se na tendência do declínio.

A economia não elege?

Não dá para acreditar que o governador paulista, que domina como poucos a matéria tributária, tenha dito esta semana: a economia não decide eleição. E cita Lula como exemplo em 2006. Que loucura. Apesar de a economia não exibir glórias naquela época, a situação do momento era comparada com os anos FHC. Lula ganhou disparado na comparação. Aliás, é o que Lula, de modo inteligente, quer repetir agora. Este consultor não tem dúvida: quem elege um candidato é o bolso do eleitor. Bolso vazio, necas; bolso cheio ou mais ou menos folgado, troco. Ou será que José Serra esqueceu o mote da campanha de Bill Clinton, em 1992, cravada pelo marqueteiro James Carville: "é a economia, estúpido".

Ciro sem vez em SP

Se Ciro Gomes tira votos de José Serra na área federal, não conseguiria puxar votos a ponto de ameaçar a vitória deste governador, caso fosse candidato à reeleição em São Paulo. E mais : não teria condições de levar a melhor no Estado mais forte da Federação. Ciro seria aqui destruído. De São Paulo, não deve conhecer 3% dos municípios. Seria mais fácil o sol não aparecer amanhã do que Ciro, com vida política no Ceará, ganhar o pleito para o governo paulista em 2010. Aposto uma dúzia de picolés. Contra uma goma de mascar.

Dutra no comando petista

José Eduardo Dutra comandará o PT nos próximos anos. O antigo grupo majoritário volta a dar as cartas. José Dirceu brilhará mais ainda no firmamento político eleitoral. Apesar do segundo lugar, garantido por outro José Eduardo, o Cardozo, o grupo de Tarso Genro passará uma temporada nas margens. Até porque seu titular se afastará para o desafio eleitoral no Rio Grande do Sul. Tarso tem alguma condição. Perdeu prestígio nos últimos tempos com suas posições mais radicais. Tarefa de Dutra: fechar as alianças nos Estados com o mínimo de dissenso. Missão impossível.

Armadilha, já?

Perdão pelo jogo fonético : Ahmadinejad tem algo parecido com armadilha, já. Lula recebe com pompas o presidente do Irã, de nome Mahmoud, sugerindo nas linhas e entrelinhas que o Brasil quer ser já, já, Ahmadinejad, "potência mundiá". Quer ser mediador com voz forte no Oriente Médio, quer sentar de vez no Conselho de Segurança da ONU, quer dar recados retumbantes na Conferência de Mudança de Clima, de Copenhague, quer puxar a orelha de Obama e dar recados aos chineses. Quer, quer, quer... sei não. Vejo, com essas querências todas, o aluguel de muitas armadilhas. Que podem fisgar o Brasil no contrapé.

Uma no cravo

Lula defendeu o direito do Irã de enriquecer o urânio para fins pacíficos.

Outra na ferradura

Desde que haja compromissos com alguns princípios dos quais o Brasil não abre mão.

Olhando pra cima

Na hora da ferradura, Luiz Inácio olhou para o teto. Isso ocorre sempre que o presidente divaga. Entra no perigoso terreno da abstração.

O semeador e o que semeia

"Entre o semeador e o que semeia há muita diferença. Uma coisa é o soldado, e outra coisa é o que peleja; uma coisa é o governador, e outra coisa o que governa. Da mesma maneira uma coisa é o semeador, e outra o que semeia; uma coisa é o pregador, e outra o que prega. O semeador e o pregador, é nome; o que semeia e o que prega, é ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador. Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo." (Sermão da Sexagésima, Padre Vieira)

Dilma na espontânea

Pois bem, Lula conseguiu dar a Dilma Rousseff a visibilidade que não tinha. Na pesquisa espontânea, a ministra-chefe da Casa Civil está próxima a José Serra, ele com 9%, ela com 6%. Intenção espontânea de voto se deve, sobretudo, ao quesito conhecimento público.

PF com mais poder

A Polícia Federal terá maior poder para fiscalizar. As novas funções estão previstas em projeto de lei que permitirá à PF requisitar dados cadastrais de instituições e pessoas acusadas de crimes junto ao BC, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Hoje, essa função é dificultada. Em compensação, haverá normas contra a espetacularização das investigações.

25% dos eleitores

Só 25% dos eleitores brasileiros – cerca de 132 milhões de eleitores – expressam o nome de seu candidato.

Palavras sem obras

"O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. Antigamente convertia-se o mundo: hoje por que não se converte ninguém ? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos; antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiro sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de David derrubou o gigante; mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra. As vozes de sua harpa lançaram foram os demônios do corpo de Saul; mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão. Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras." (Sermão da Sexagésima, Padre Vieira)

FHC escondido?

Essa é uma novidade ruim para o tucanato. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não está bem na fita. 49,3% não votariam de jeito nenhum em candidato indicado por ele.

Dilma rejeitada

Dilma melhorou – um pouquinho – a posição no ranking da rejeição. De 37,6%, sua rejeição caiu para 34,4%. Próxima a de Marta Suplicy, por ocasião da última eleição para a prefeitura paulistana. Índice considerado razoável está em torno de 15%.

Requião e sua reunião

Em que deu a reunião de Roberto Requião? O governadorzão queria uma decisão em torno de um candidatão do seu partidão para a eleição presidencial de 2010. Perderá essa bênção na Convenção. Aposto um real contra um tostão.

Cascatas de lágrimas

Atenção, vendedores ambulantes de lenços. Preparem seus estoques. Nos próximos dias, cascatas de lágrimas serão derramadas nos escurinhos dos cinemas. Tudo por conta de "Lula, o Filho do Brasil", que mostra a saga do engraxate que virou presidente da República. As lágrimas aguarão os caminhos poeirentos que levam ao pleito de outubro de 2010. Para que dona Dilma Rousseff chegue às urnas com os sapatos molhados de votos.

Edinho reeleito

A reeleição de Edinho Silva para a presidência do PT paulista serve ao objetivo do presidente Lula: botar Ciro Gomes como candidato ao governo apoiado pelo PT. Ciro, diz Serra, é um pau mandado de Lula. É. Pode ser. Mas esse pau bate muito duro em sua cabeça.

Dilma, a expert

A ministra-chefe da Casa Civil entende tanto de meio ambiente quanto Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, de minas, energia ou pré-sal. Mas a pré-candidata de Luiz Inácio à presidência da República será a chefe da delegação brasileira em Copenhague. Modo de impregnar seu perfil com o verde da sustentabilidade. Marina Silva, que se cuide.

Tarso, o exagerado

Tarso Genro já foi melhor. Este consultor já chegou a afirmar, em tempos idos, que seu perfil estava entre os melhores do PT. Pelo menos, entre os mais preparados. Mas o ministro da Justiça é um poço de exageros. Diz, agora, que o STF tentou usurpar poder de Lula. Tudo por conta da novela Cesare Batistti. Que deixa Lula entre a cruz e a caldeirinha. Acusa o STF de tomar uma decisão ilegal. Tarso Genro está sentado no trono dos céus, ao lado de Deus.

O poste de Lula

Quem ainda garante que Lula, apesar de registrar o maior prestígio no ranking dos presidentes da República, não consegue eleger um poste? Pois bem, confiram: o poste de Lula já ultrapassou a casa dos 20%.

Receita Federal

O estilo discreto, porém eficiente, do Secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, começa a dar resultados. A RF resgata sua performance. A de outubro chega a um recorde por conta da transferência de R$ 5 bilhões em depósitos judiciais que estavam na CEF. Cartaxo havia prometido para novembro o reposicionamento das receitas aos altos níveis do passado. Deve atingir a meta. A RF entra nos eixos.

Fim de ano lotado

O fim de ano abre horizontes lotados. Lojas, supermercados, agências de viagem, companhias aéreas, empregos temporários natalinos. O bolso, se não está cheio, não passa por grandes apertos. O sorriso dos governistas vai de um canto a outro da boca.

Conselho ao presidente Luiz Inácio

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao ministro Edison Lobão. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1. Administrar, de modo equilibrado, a grande confiança que lhe deposita a população brasileira, evitando atitudes arrogantes e o sentimento de que é onipotente.

2. Ter muito cuidado com a liturgia do poder e usar a força do governo, nos próximos meses, para corrigir desvios e distorções nos diversos campos da administração.

3. Evitar que a máquina administrativa seja utilizada a favor de candidatos, a partir de sua pré-candidata à presidência, Dilma Rousseff.





(*) Gaudêncio Torquato é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Corte do TRE inocenta Amazonino e Carlos


Procurador eleitoral Edmilson Barreiros, com o processo contra Amazonino, e a presidente do TRE, Graça Figueiredo

Tereza Teófilo
Da equipe de A CRÍTICA

O prefeito de Manaus Amazonino Mendes (PTB) e o vice-prefeito Carlos Souza (PP) foram absolvidos das denúncias de compra de votos e abuso do poder econômico apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral do Amazonas (MPE-AM).

Num julgamento de aproximadamente cinco horas de duração, a Corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), decidiu reformar a sentença da juíza Maria Eunice Torres do Nascimento que, em novembro do ano passado, cassou os registros de candidatura de Amazonino e Carlos Souza, pela distribuição de combustível, realizada um dia antes da eleição do 1º turno para a Prefeitura de Manaus.

A decisão do TRE-AM poderá ser questionada pelo MPE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ontem, minutos após o resultado do julgamento, o procurador eleitoral Edmilson Barreiros disse que “vou analisar primeiramente os autos”.

Para a denúncia de compra de voto (artigo 41A da Lei das Eleições), Amazonino e Carlos Souza receberam quatro votos contrários e dois votos favoráveis à condenação. Na denúncia de abuso de poder econômico (artigo 31A), o resultado foi 4 a 3, com o voto de desempate da presidente, desembargadora Maria das Graças Figueiredo.

O relator do recurso, juiz federal Márcio Freitas, votou pela anulação do 2º turno da eleição, com a realização de uma nova disputa entre o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) e o vice-governador Omar Aziz (PMN), bem como pela manutenção da decisão da juíza Maria Eunice.

Apenas a desembargadora Socorro Guedes acompanhou, na totalidade, o voto do magistrado federal. “Entendo que houve a infração dos artigos, a distribuição graciosa de combustível e em respeito ao princípio da moralidade voto pela cassação dos registros”, declarou ela.

O advogado Mário Augusto foi o primeiro membro da Corte a apresentar voto contrário ao do relator. “Não há nenhum depoimento em tese de que o combustível doado estava condicionado ao voto”, disse ele.

O jurista Barros de Carvalho, também acompanhou o voto de Mário Augusto, bem como o juiz Elci Simões. A juíza Joana Meirelles votou com o relator na questão do abuso de poder econômico, mas acompanhou o voto de Mário Augusto em relação a acusação de compra de voto.

Simões chegou a fazer a defesa de Amazonino. “O Amazonino não seria desrespeitoso com a Justiça Eleitoral que nessa eleição foi tão combativa”, disse ele sendo repreendido logo em seguida pela presidente do Tribunal Regional Eleitoral.


(publicado no jornal A Crítica, nesta quarta-feira, dia 25 de novembro)